segunda-feira, 17 de abril de 2017

In My Wildest Dreams

Desde miúda que acalento um pequeno Napoleão dentro de mim. Começou com as Caxinas. Eu e mais dois amigos decidimos criar um movimento, para que as Caxinas passassem a fazer parte da Póvoa. Eramos as FLAC. A Frente para a Libertação e Anexação das Caxinas. Chamo a vossa atenção para o pormenor de que primeiro iríamos libertar e só depois anexar as Caxinas. Faz toda a diferença.
Não eramos violentos. Aliás, a nossa grande estratégia para a libertação e posterior anexação das Caxinas era muito simples. Íamos remover a placa que dizia: "Bem-vindo a Vila do Conde" e coloca-la depois das Caxinas, ali na foz do Rio Ave, esperar 20 anos e adquirir as Caxinas por usucapião. Na altura parecia uma grande ideia... mas não foi. O máximo que conseguimos não chegou a um ano e depois da primeira vez que nos toparam, nem uma semana conseguíamos ter as Caxinas do nosso lado. Aparecia sempre alguém para repor as fronteiras. Um dia, o meu pai chegou à minha beira e disse:
- "Olha lá! Sabes alguma coisa sobre aquela história de andarem a mexer nas tabuletas de Vila do Conde?"
- " Por acaso sei. Acho que são as FLAC, que é um movimento que quer que as Caxinas passem a fazer parte da Póvoa... Não achas fixe? As praias das Caxinas serem nossas?"
- "O que eu acho fixe é que acabes com essa merda, antes que isso dê problemas a sério, pode ser?"

Encontro este mesmo tipo de mentalidade pequenina, quando digo às pessoas que devíamos investir na reconquista da Galiza. Porque a Galiza é a melhor parte de Espanha. Porque a Galiza fala galego e o galego, toda a gente sabe, é português com sotaque espanhol. Porque a Galiza tem a melhor comida e as cidades mais bonitas. Porque fica mal no mapa, aquela parte de cima do retângulo ser de Espanha. Sei lá... São tantas boas razões para a reconquista da Galiza. E as pessoas respondem-me: "Mas se a Galiza nunca foi nossa, como é que tu queres reconquistar a Galiza?". Estão ver? Com esta atitude não vamos de certeza... Aposto que o Pedro e o Vasco não tinham de aturar estas merdas quando estavam a descobrir o Brasil ou a abrir caminho até à Índia.

Ultimamente, o meu pequeno Napoleão anda de olho no Curdistão. Mas um Curdistão a sério, com tudo aquilo a que tem direito: um pedacinho da Síria, um pedacinho do Iraque  - que até já têm - mais um bocadinho do Irão, um niquito da Arménia e um belo pedaço da Turquia. E isto nem era por amor ao Curdistão, era só para não se armarem em parvos ali no Médio Oriente. Ao contrário da Galiza, não sei se o Curdistão tem as cidades mais bonitas ou se a língua deles dá para aprender a falar. Sei que são multiétnicos, que respeitam a liberdade religiosa, que aplicam o parlamentarismo e fomentam a diversidade partidária e que são os únicos naquela zona preparados para viver em Democracia, pois já o fazem todos os dias e no pior dos cenários.

Ora, pensando nisto tudo, decidi fazer aqui uma proposta séria, a todos os vileiros, espanhóis e - como dizer isto? - "psicopatas" do Médio Oriente em geral. É o que se segue:
Os vileiros, que estão aqui mais próximo, são os que levam a melhor oferta. Nós ficamos com as Caxinas e, em troca, (acho que os poveiros estão todos comigo nisto), vocês ficam com Argivai. Reparem! Estamos a oferecer-vos uma freguesia inteira por meia dúzia de praias. Parece-me irrecusável.
Espanhóis, para vocês, tenho aquilo que sempre quiseram. É isso mesmo!! Em troca da Galiza ficam com as Selvagens todas para vocês. A Grande, a Pequena, a Média, as caganitas... Enfim, todas aquelas ilhas do Atlântico e aquele mar todo até à Madeira fica para vós. Nem nos fazem falta, que calhaus é coisa que temos de sobra no país e, se acharem pouco, prometemos, também, não insultar as vossas mães da próxima vez que se discutir Almaraz. Não podem dizer que não é uma proposta tentadora...  
Já o Curdistão é um caso à parte. Em primeiro lugar, porque, ao contrário dos anteriores, não é um problema de ficar bem ou mal no mapa. E, em segundo lugar, não tenho nada para vos dar em troca, "psicopatas" do Médio Oriente. Assim, só sobra uma opção: ajudar os curdos a conquistar e construir o seu grande Curdistão, que tem o seu território bem delimitado e conhecido de toda a gente, servindo de castigo e ameaça a Bashares, Erdoganes e aos outros tiranetes que por ali dominam. Maior ou menor, todos são uma ameaça aos valores do Ocidente. O Curdistão não é...  

terça-feira, 11 de abril de 2017

NÃO É PLÁGIO. JURO!

Já vos aconteceu, andarem a marinar uma ideia nos rascunhos durante quase um ano e, quando vão a ver, um gajo qualquer teve a mesma ideia que tu e desenvolveu-a muito melhor? Aconteceu-me hoje, pá! É para aprender a não deixar para amanhã, aquilo que devia ter feito há um ano atrás... 

Agora também já não vale a pena mariná-lo mais, vai mesmo assim, sem temperar:

Cozinhar é uma arte?

Não. Não é. Pode ser uma técnica e uma técnica muito difícil, que exige muita perícia - eu que o diga - mas não é uma arte. E olhem que não é menosprezar a cozinha. Tenho mais hipóteses de conseguir pintar um quadro de jeito, do que de fazer um arroz que se coma, mas, mesmo assim, sou a primeira a dizer: COZINHAR NÃO É UMA ARTE!

E não é uma arte por várias razões. A mais importante delas: é que a comida não tem de ser bela. Tem de ser apetitosa aos olhos e à boca e isso nada tem a ver com beleza. Pelo contrário, quanto mais belo o prato, menor a vontade de o estragar e, logo, de o comer.
A segunda razão? Porque ninguém vai a um museu ver, (e muito menos comer), um cannelloni do séc. XVI, elaborado pelo Chef Miguel Ângelo. A comida não é intemporal, nem é para ser apreciada pelas massas, é, isso sim, para apreciar massas. Estamos entendidos?

É um ódio pequenino que carrego cá dentro, os cozinheiros artistas. Comigo era enfiá-los todos num barco do mediterrâneo, mas em sentido contrário.

segunda-feira, 13 de março de 2017

QUANDO AS COISAS NÃO ANDAM BEM NO QUINTO ANDAR...

ALERTA: NÃO RECOMENDÁVEL PARA A HORA DO ALMOÇO! FAÇA A DIGESTÃO PRIMEIRO!

Aposto que agucei a vossa curiosidade com este meu alerta inicial, hein?! É uma coisa que as pessoas deviam fazer mais vezes. Tal como há o “spoiler alert”, para avisar as pessoas que o texto pode contar mais do que deve, podia haver um “spoiler lunch”, que alertasse as pessoas para o perigo de um texto nos dar à volta à barriga . Quantas vezes já me aconteceu e não custa nada avisar...

Não foi o caso da notícia que li sobre um autocarro em Madrid, que continha a seguinte mensagem publicitária: "Os meninos têm pénis, as meninas têm vulva. Que não te enganem. Se nasces homem, és homem. Se és mulher, continuarás a sê-lo".
Esta notícia chamou a minha atenção por vários motivos. Primeiro, não deixa de ser fascinante, o quanto uma pessoa pode aprender sobre os ultra católicos a ler estas notícias. Por exemplo, são contra a educação sexual nas escolas, mas não são contra a educação sexual nos transportes públicos. 
Aí está uma sugestão que eu deixo às escolas do país, darem as aulas de educação sexual dentro de um autocarro. Ou no metro. Sentam as crianças na plataforma, sem ultrapassar a linha amarela, (cuidado com isso!), e depois põem as carruagens a passar, com frases importantes de educação sexual. Parece que assim é na boa.   

A segunda coisa que me apraz dizer sobre isto, é que também eu já pensei escrever uma mensagem destas, lá na porta da casa-de-banho do escritório onde trabalho. Mas mudava um bocadinho a construção e punha uma coisa assim: "Os meninos têm pénis, as meninas têm clitóris. Que não te enganem. Se nasces mulher, és mulher. Se és homem - hélas! - continuarás a sê-lo."  
Agora, por favor, não me interpretem mal. As minhas intenções estão longe de ser transfóbicas ou qualquer outra coisa de parecido. A minha preocupação é só alertar as pessoas, para as falsas expectativas que tantas e tantas vezes lhes estão a ser criadas, quando se submetem a operações e tratamentos estéticos invasivos, tudo para se sentirem melhor consigo mesmas. Aliás, em minha defesa, já escrevi outras coisas parecidas na porta do WC lá do escritório e não têm nada a ver com transexualidade. A primeira, uma pequena homenagem ao Michael Jackson, dizia assim: "Se o teu problema é no quinto andar, não faças obras no quarto andar!" 
Entenderam a metáfora? Quando as coisas não andam bem no “quinto andar”, não adianta muito fazer as obras no “quarto andar”?! E já agora, nem no terceiro e muito menos no segundo. Tenham juízo! Olhem se nunca mais funciona?!

Há uns quinze anos atrás fui operada a um joelho e não é que tenha ficado pior do que estava, mas o que tinha sido mesmo fixe, era nunca ter sido preciso ir à faca, porque melhor do que era, não conheço ninguém que alguma vez tenha ficado.
A não ser há uns tempos, num concurso da Miss Venezuela que vi e que parecia mais um estaleiro do que um concurso de beleza propriamente dito. Tirava-se um bocadinho ali. Enxertava-se um bocadinho acolá. E no final ficava uma espécie de Frankenstein, mas em bom, tenho de reconhecer. Só há um problema, onde fica a verdade desportiva da beleza no meio disto? Será que as cirurgias estéticas, neste tipo de concursos, não deviam ser consideradas doping e proibidas? Não sei mesmo…

Mas voltando ao autocarro de Madrid, o que me interessa naquela mensagem, não é o homem e a mulher. Aquela mensagem podia ser tanto acerca de transexualidade, como acerca do peso, ou da beleza, ou da falta de cabelo de uma pessoa. Se o teu pai é careca, não te enganes, tu vais ser careca. Ou, se nasces baixo, não te deixes enganar, nunca serás alto. Alguém ficava ofendido, se fossem estas as frases a circular pelas ruas de Madrid? Afinal, a parte mais importante daquele alerta é o: “Não te deixes enganar!” E a carapuça serve a toda a gente, não é só aos transexuais. Onde fica a fronteira, entre as pessoas se aceitarem a si e ao seu corpo como ele é e o declarar-lhe guerra, como o fazem os transexuais, ou alguns gordos, ou as pessoas que se acham muito feias e/ou muito velhas? Até que ponto se pode nascer num corpo errado, se é o corpo com que se nasce? E até que ponto não são falsas as expectativas de quem acha que o pode mudar?
Bem sei que, quem mora no prédio é que sabe se ele precisa de obras e onde, mas, às vezes, parece que as pessoas preferem ser o patinho feio, a ser o cisne mais bonito do lago…

No meu caso, se me dessem a chance de mudar, em vez de mudar de género, escolhia uma coisa mais radical e trocava de espécie. Deixava de ser um Homo Sapiens para trocar de cérebro com um Columba Livia, que para quem não sabe, é um pombo. No meu caso, uma pomba. Esse aspecto não mudava. Era o meu sonho! Passar os dias a sobrevoar a cidade e as vossas cabeças. Mentiria se não dissesse que pretendo cagar nalgumas delas… mas não é só isso. Devoto grandes expectativas na minha pessoa com cérebro de pombo. Nos dias que correm é dos melhores cérebros que se pode ter. It’s a win-win situation! Pena os avanços da medicina não acompanharem a velocidade dos meus sonhos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A TALKING CHURCHILL BUST

E quando uma pessoa pensava, que o Donald Trump não podia descer mais baixo, nas suas ideias para a presidência dos EUA, eis que o homem se supera e leva o busto do Winston Churchill, para dentro da sala oval. O político que mais deve ter feito pelo combate ao fascismo de todos os tipos, a servir de inspiração a um fascistóide de terceira categoria. São tempos tristes os que vivemos. Mas já lá dizia o poeta, se não os podes vencer, junta-te a eles e eu tenho andado aqui a pensar, que tenho mais coisas em comum com o Donalde do que gostaria.  
O fascínio pelos concursos de beleza, por exemplo. Um pezinho que foge muitas vezes para a infantilidade. O negacionismo face ao aquecimento global. Por acaso aqui, a minha posição é um bocadinho diferente da do Donald, pois eu não nego o aquecimento global, só não acho que seja um problema. Sobretudo com este frio que tem estado... Olhem o que se poupava na conta da luz?! Não entendendo o drama...
E por último, but totally not least, a admiração pelos ingleses em geral, pelo Churchill em especial e pelo Brexit em particular. Como diria o Rui Veloso: é quase mais aquilo que nos une, que aquilo que nos separa. 
Mas já que o Winston Churchill era um optimista, também eu tenho encarado estas semelhanças pelo lado bom, pensando na melhor forma de construir pontes com o "monstro cor de laranja".

Foi aí que me surgiu uma ideia francamente genial. Lembram-se do Pinóquio? E do Grilo Falante que era a consciência do Pinóquio? A ideia é esta: um busto falante do Winston Churchill, que de 5 em 5 minutos diz frases sonantes da autoria do próprio Winston Churchill. Tipo aqueles macaquinhos que dantes havia nas ruas e diziam: "Hola! Cómo te llamas? Quiero ser como tú." 
Bem sei que ele já tem um busto do Winston Churchill, mas ficava com dois, que nunca são demais numa casa. Além de que este seria um busto falante. 
E o que diria o busto falante do Churchill ao Donald? Para começar, acho que devíamos aproveitar a deixa do outro e inserir a típica saudação destas engenhocas: "Hello! What's your name? I wanna be like you." Só para cativar e atrair a atenção do pequeno diabo. E depois gravávamos lá outras frases, mais pedagógicas e já mesmo do Churchill, que nos podiam dar muito jeito, serem ouvidas a alto e bom som na Casa Branca. Deixo aqui algumas sugestões:
 - "Evils can be created much quicker than they can be cured.";
 - "You must look at facts, because they look at you.";
 - "Bolshevism is not a policy; it is a disease, it is not a creed; it is a pestilence." - Esta, se calhar, a passar o dobro das vezes das outras todas;
 - "How much easier it is to join bad companions than to shake them of." - E esta sempre a passar logo a seguir à anterior;
 - "Books, in all their variety, offer the human intellect the means whereby civilization may be carried triumphantly forward. Learn to read! It is never too late." - Esta última parte não é do Churchill, fui eu que acrescentei, mas aposto que ele ia concordar;
 - "All the greatest things are simple, and many can be expressed in a single word: Freedom; Justice; Honour; Duty; Mercy; Hope. Great and fantastic are not one of those!" - Novamente, esta última parte é minha, não é do Churchill, mas tenho a certeza que o Donald nem vai reparar.

Pronto. Agora é só arranjar um busto falante do Churchill, para se oferecer ao presidente americano, quando ele for no Verão a Inglaterra. Talvez na Ásia... Japão ou Coreia do Sul, já alguém se deve ter lembrado de uma coisa destas...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

E Ver O Telejornal?

Há uns meses atrás, o Público trazia uma entrevista do escritor espanhol, Arturo Peréz-Reverte, a propósito do último livro, "Homens Bons". Do livro ainda não posso falar, que mal passei o começo - são muitas solicitações! - mas a entrevista, depois de ler outra vez, aqui pela Internet, recomendo vivamente a todos. Há sobretudo uma parte, que é tão genial, que não consigo deixar de a citar aqui. Cá vai:
"Às vezes pego num livro, e penso: este tipo, para que escreve ele? A quem importa saber que ele se levantou de manhã, que tem uma vida triste, que a mulher o deixou, que o seu filho é drogado, que se sente asfixiado pela vida… Para isso não vale a pena ler. Basta olhar em volta. O que eu quero é que me contem histórias interessantes, que me façam reflectir, pensar, sonhar, que mudem a minha vida."
Fico com vontade de beijar este homem na boca, de cada vez que leio isto. E digo mais, se o vosso trabalho é escrever livros, fazer filmes, tocar música, pintar quadros... escrevam isto num post-it e colem na porta do frigorífico, ou do mini-bar, se for mais esse o caso. Não vão encontrar conselhos muito melhores que este por aí.

Nunca percebi esta mania de pôr a vida real no cinema e a ficção no telejornal, mas entre uma e outra, acreditem que prefiro a segunda, apesar dos problemas que tem dado.  E foi muito por causa disto, que há cerca de dez anos, tomei a decisão de não ver mais cinema português. Confesso, o cinema português é um dos meus ódios de estimação.
A gota de água, se não me falha a memória, foi o "Odete" do João Pedro Rodrigues, que fui ver com a Gorda. Uma história pirosa, quando não confusa e muito mal representada. Quando saímos da sala de cinema, depois daquela valente seca, estava tão furiosa, que disse à Gorda: "Para ver cinema português, não contas mais comigo. Acaba hoje, acaba aqui!" E assim foi.
Já passei por muito com o cinema português. Pela mesma altura fui ver um filme do Pedro Costa, também ao cinema, já nem me lembro qual, que são todos iguais, e saí da sala a pensar, que tinha pago 5 euros, para ver uma grande reportagem do telejornal das oito. Aliás, pior, que as pessoas entrevistadas no telejornal das oito não estão preocupadas em fingir que são actores.

Por acaso, no Verão, fui ver "As 1001 Noites", no auditório ao ar livre da Gulbenkian. Sou sincera, só fui ver, para poder falar mal... Mas não é nada mau, apesar de serem mais de seis horas e haver cenas em que não se passa absolutamente nada, está ali um bom trabalho. O que mais gostei foi não se perceber muito bem, se aquelas pessoas do campo que entram no filme são muito bons actores a fazer de campónios, ou se são muito bons campónios a fazer de actores. É uma grande comidela de cabeça e dá uma magia ao filme, que combina muito bem com aquela aura de 1001 noites.

Lembrei-me disto tudo por causa da estreia do filme: "I, Daniel Blake". Não há uma alma que o tenha visto, que não tente convencer o próximo a ir vê-lo também. Poupem-me! As pessoas não vão ao cinema para se ver ao espelho. Digo mais, usar os dramas reais das pessoas, como entretenimento de série B, além de ser deprimente, não tem nada de original. Já temos o Facebook e a Casa dos Segredos para isso.


A última vez que fui ao cinema, foi para ver o "Animais Nocturnos" do Tom Ford. Não vou dizer se é muito bom ou muito mau, só vos vou dizer, que ao fim de meia hora de filme, estava de tal forma incomodada, que até pensei que o coração me fosse saltar pela boca fora e sair do cinema, deixando-me lá sozinha. A senhora de idade sentada ao meu lado, às vezes suspirava tão alto, que cheguei a temer que lhe desse algum fanico e eu fosse chegar ao intervalo com um cadáver ao meu lado. Felizmente, a tensão vai diminuindo ao longo do filme e eu e a velhota conseguimos sobreviver até ao fim. 
Agora perguntem-me, se eu vou estar na primeira fila, quando estrear o próximo filme do Tom Ford? Não, não vou, vou estar na do meio, que é de onde se vê melhor. Mas da próxima tomo um ansiolítico antes e se calhar despeço-me da família, just in case...
    

Worst Nightmare Ever

Nunca mais consegui dormir direito, depois desta história do Chapecoense. Já viram o que é? Um dia de manhã acordar, para descobrir, por exemplo, que os jogadores do meu Benfica morreram quase todos, num desastre de avião. E fazes o quê a seguir, com o resto da tua vida?? Olhem se fosse com o vosso Sporting? Com isso não sonho eu... e os adeptos eram bem capazes de ficar aliviados...
E depois, logo a seguir, aquela derrota na Madeira. Vi pelo menos dois títulos de jornais, que diziam mais ou menos isto: "O desastre do Benfica na Madeira". Sem aspas!
Em primeiro lugar, tenho muita dificuldade em aceitar, que um resultado de 2-1 seja considerado um desastre, mesmo que estejam a falar do Glorioso. E em segundo lugar, desastre?! Nem uma semana depois do "acidente" com o avião que levava a equipa do Chapecoense - agora sim, com aspas, pois já ninguém tem cara de chamar àquilo um acidente - o que é isto? Fiz queixa ao provedor dos dois jornais. Ai fiz mesmo!! E espero que levem bem nas orelhas por causa disso, idiotas! Há limites para o mau gosto. Os meus são estes.

Bem sei, não morreram só pessoas do futebol neste desastre, mas também não é esse o meu ponto. O que me parte o coração nesta história são as pessoas de Chapecó, que além de terem perdido familiares e amigos, perderam a sua equipa de futebol.
Já não me lembro qual deles, mas um dos manos Gallagher costumava dizer, que as pessoas que gostam de bola têm sempre um motivo para viver. Devia ser o Noel, que é o mais inteligente. Até com os adeptos do Sporting isto acontece. A tua vida pode estar uma merda, mas depois pensas na tua equipa, que ela pode ganhar o próximo jogo e é uma alegria que ninguém te tira, ninguém te estraga. E mesmo que não ganhe, há sempre a esperança do próximo, ou, como dizem os energúmenos: "Para o ano é que é!"



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

São os Comandos, Estúpida!

Ora, é mesmo para não ouvir este tipo de insultos, que aviso já: todo o meu conhecimento sobre a vida militar, vem dos filmes de acção dos anos 80. Vi todos! Sou, praticamente, a maior perita nacional no assunto... 
A minha pergunta é só uma e modéstia à parte, é uma grande pergunta: é preciso matar uma pessoa - ou duas - para se chegar à conclusão, que ela não serve para os comandos? A ver pelo historial dos comandos no nosso país, parece que sim...
Nem ponho em causa a violência que é necessária ou deixa de ser necessária, na preparação dos soldados para a guerra. Não deve ser um passeio no parque, certamente que não, e quanto mais semelhante ao cenário real, que futuramente vão encontrar, melhor para eles e para nós. Mas, ainda assim, a única forma de esta história triste ser aceitável, era se os senhores instrutores do curso dos comandos, fossem pagos, para dar formação às tropas do inimigo. Aí sim, matar dois e mandar mais nove para o hospital, seria um grande feito militar. Como não é o caso, convém dizer, que matar à sede dois jovens, durante a formação dos comandos, não se sabendo ainda se é um crime, não será com toda a certeza, um bom trabalho. Além do mais, o serviço militar já não é obrigatório e arriscam-se a não ter muito mais gente disposta a servir o país, se começarem a perceber que têm de aturar este tipo de bestialidades no caminho.

A propósito, sou uma grande fã do Mário Nunes. Não estou a brincar, sou mesmo. Na minha opinião, é o grande herói português do século XXI. E o Guterres também, um bocadinho... mas é diferente, como diz o John Oliver, a diplomacia é a guerra para os "maricas". Não se compara...
E se já admirava o Mário Nunes, o grande herói português do século XXI, fiquei a admirá-lo ainda mais, depois desta polémica dos comandos. Estou em crer que, quem tem um verdadeiro espírito militar, não está para aturar estes jogos parvos de poder e ego, que parecem dominar as nossa forças armadas. Não admira que tenha desertado... E ainda bem para nós, porque graças ao Mário Nunes, podemos dizer, que ajudamos a combater os gajos do EI/DAESH/QUEGRANDEMERDA! Temos mais alguém lá depois disso?        

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A Contar Carneiros

Na vida, sempre pensei, que era melhor só do que mal acompanhada. Não é que tenha mudado a minha opinião, mas em temas mais políticos, por muito mal acompanhado que se esteja, sempre deve ser melhor do que estar sozinho. Andei muito mal acompanhada neste último ano. Posso falar… 
A primeira vez que eu senti isto, foi em Junho, com o Brexit. Votar para sair da União Europeia, não é só uma panca de racistas e broncos da extrema-direita. Tal como a Irlanda e a Grécia – quem sabe a Itália?! – já o demonstraram antes, os povos da Europa querem menos União Europeia nas suas vidas e este sentimento existia, muito antes da questão dos refugiados. A vitória do Trump na América puxa para se enfiar tudo no mesmo saco, mas o Brexit e a vitória do Trump, não são a mesma coisa, nem aqui, nem em Marte. Aliás, a única coisa que estes dois assuntos têm em comum é o evidente défice democrático que afecta, tanto a União Europeia, como o “monstro cor-de-laranja”. E, dúvidas houvesse, basta pensar, que com o Brexit, a libra caiu e os mercados estremeceram, já com a vitória do Trump, o dólar subiu e os mercados, sem grande histeria, não desgostaram da novidade. Será que é a mesma coisa?! Um marciano que visitasse o planeta Terra por estes dias e fizesse uma pequena tournée pelos jornais, ficava a pensar que sim.      
Digo que me senti muito mal acompanhada no Brexit, porque as pessoas de bem têm tanto medo de racistas e parvalhões da extrema-direita, que preferem sacrificar valores tão nobres como a liberdade e a soberania, só para não ficarem ao lado dessa gente. Não quis saber. Aplaudi o Brexit à mesma, na companhia dos racistas e dos cretinos da extrema-direita e alguma gente de bem. Vi boas almas a defender o Brexit… 
O pior veio a seguir, com a proibição do burkini, nas praias francesas. Meu Deus! Não vi uma única pessoa decente do “meu lado”. Só xenófobos e idiotas da extrema-direita. Para conseguir ouvir alguém que partilhasse a minha opinião, era a oferta que havia no “mercado”. 
Lamento, mas nesta parte, vou ter de ir buscar o argumento nazi... As suásticas não são aceitáveis. Nós não toleramos pessoas na praia de braçadeiras com suásticas, por exemplo. Aceitamos suásticas no Carnaval ou no Halloween, mas fora estas duas ocasiões, as pessoas não toleram os símbolos do nazismo por aí espalhados, a conviver serenamente com o resto da civilização. O burkini  é a mesma coisa. É difícil entender isto? Deve ser, porque não vi uma única pessoa de bem do "meu lado", só grunhos e estupores. Fiquei preocupada comigo. Achei que tinha um problema e até procurei medicação contra a islamofobia, mas não há...


Melhorei bastante com esta historia do Trump. Sim, a vitória dele é uma tragédia, mas pelo menos aqui: “everything in its right place”, como diz o outro. Trogloditas de um lado, gente de bem do outro. 
Se os eleitores do Trump não votaram nas suas ideias racistas e xenófobas, votaram em quê? Na prisão da Hillary?! Secar o pântano?! Foi nisso que os americanos votaram? Um gajo que passou a vida toda a fugir aos impostos e a lixar a vida do próximo?! Oh pá! Isto vai ter muita piada…

domingo, 20 de novembro de 2016

Em Defesa do Papel (Mas Não Muito)

"Até 2020, a maioria dos jornais deixará de imprimir" By Pedro J. Ramirez


Cada vez tenho menos dúvidas sobre o futuro dos jornais em papel, ou melhor, sobre o seu não futuro. E sabem de quem é a culpa? É dos jornais em papel. Como aquele policial cliché, em que o assassino é a primeira vítima.
Bem podem atribuir as culpas à Internet, dizendo com ar sabichão: "Ninguém vai pagar uma informação em papel, se podemos obter essa mesma informação, gratuitamente, na rede." É bem verdade... mas só é verdade, porque, de facto, é a mesma informação, não é?

Faz-me lembrar o problema da Uber ao contrário. Para ser sincera, nem sou muito sensível à polémica entre os táxis e a Uber, mas, pelo que eu percebi, a Uber presta um serviço mais barato e com mais mordomias. O único senão é que no fundo, no fundo, estamos a chamar um táxi pela Internet. Para mim, que sou um dinossauro no que toca a confiar nas novas tecnologias, é um senão muito grande.
Ora, o que os jornais em papel fizeram, para se adaptarem aos novos tempos, foi imitar a informação da Internet.  Em vez de tentarem prestar um serviço diferente e com mais qualidade - e olhem que não era assim tão difícil - quiseram prestar o mesmo serviço, em que a única preocupação são os likes e as reacções.

Não admira, há mais de dez anos que ouço esta conversa, que os nossos jornais deviam ser mais como os americanos e mostrar logo nos editoriais de que lado da barricada estavam. Para os leitores saberem a propaganda que estavam a engolir. Como se os editoriais fossem bulas de medicamentos. Aos fãs do jornalismo americano, parece-me oportuno lembrar, o bom resultado que deu. 

Sem querer avançar explicações simples, para "doenças" complicadas, os jornalistas de hoje em dia deixaram de acreditar em factos e em isenção, nem nunca ouviram falar de uma coisa chamada verdade. Tudo depende da perspectiva. Nunca lhes ensinaram, que um facto só é um facto, se for verdadeiro, se for falso, já não é. Não adianta papagueá-lo 1000 vezes - embora até eu comece a ter dúvidas sobre isto.
Não sei se me estou a fazer entender... Vou tentar com o futebol, tenho mais facilidade em explicar problemas complicados, com metáforas futebolísticas. 
O jornalismo em papel achou, que o jogo era mais claro e sério, se em vez de existir um árbitro a apitar o jogo, existissem dois árbitros, cada um a jogar pela sua equipa. É isto o quarto poder hoje em dia, ou seja, não é um poder. Foram logo os primeiros a vergar ao populismo.
Ninguém paga para ler propaganda e os jornais em papel são repositórios de propaganda. Da Internet uma pessoa já espera isso, põe o filtro e até se ri um bocado, mas o jornalismo em papel costumava ser outra coisa. Não esta informação mastigada, cheia de maquilhagem, só com os factos que interessam, para tirar a conclusão que o editor manda. Quem arranjar os melhores factos, para a conclusão que já tirou, ganha o jogo.
E assim se cria uma sociedade de broncos, que não sabe pensar. Não admira que eles comecem a chegar ao poder.

Por outro lado, continua a ser o melhor material no mercado para limpar vidros.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Quero aqui deixar hoje, no meu blogue, um grande bem haja ao Dr. Passos Coelho. É um visionário, este senhor. Não foi em Setembro, mas com o resultado das eleições americanas, já ninguém tem dúvidas, que o Diabo chegou. 
É assim uma espécie de irmã Lúcia mouca, o nosso Passos Coelho. Em Novembro, Pedro, foi o que ela disse, o diabo chega em Novembro. Sempre achei que ele tinha potencial para ser beato... 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Wanna To Cry

O Trump ganhou e também eu tenho vontade de escrever um texto desencantado e pedinte, sobre a necessidade de ouvir e prestar mais atenção, aos apelos da extrema direita, aqui na Europa e na América. Depois ganho a noção do ridículo e passa-me. Mas façam assim: ouçam bem os deploráveis da extrema direita na América e tentem compreendê-los. E de seguida, façam as malas para a Síria e ouçam bem e tentem compreender ainda melhor, por que motivo jovens europeus dos subúrbios de Paris, Londres e Bruxelas... fogem dos seus países de origem, para se juntar à jihad islâmica, boa? 
Não me façam rir, quando tenho vontade de chorar. Se não se importam, por mim, escolho continuar a chamá-los de broncos e a fazer pouco deles, desculpem lá...


O meu avô, por acaso, atirava um bocado ao fascismo e eu bem podia ter tentado compreendê-lo, mas não me dei ao trabalho. Era velho e na minha opinião, os velhos podem ser tudo o que eles quiserem, inclusive xenófobos e sexistas. Não vão durar cá muito tempo e até deixo passar... Mas se não forem velhos, não aceito estes bullies da treta armados em vítimas.
No 60 minutos desta semana ouvi um dos eleitores do Trump a dizer, com um tom muito oprimido, que não podia dizer aquilo que pensava, porque as pessoas o ostracizavam. Literalmente, nem estou a tirar proveito da tradução. Sem querer compreender estas pessoas - Deus me livre! - acho que começo a entender como elas funcionam. Podem dizer todas as alarvidades que lhes passem pela cabeça e não esperam de nós outra coisa, que não sejam sorrisos e palmas. O mundo é um imenso speakers corner, onde eles são os speakers e nós os turistas de passagem, que é como quem diz, o corner.
Ou são bullies, ou são vítimas, decidam-se! As duas ao mesmo tempo não dá. Nós cá no burgo temos um ditado, que diz assim: quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. Como é que se diz isto em americano?  

domingo, 13 de novembro de 2016

O Triunfo da Cretinagem

Ora bem, nem sei por onde começar… Acho que pelas boas notícias, que é o que se faz, quando as notícias são muito más.
A primeira boa notícia é que o politicamente correcto faleceu. De há uns anos para cá, que se via muita gente preocupada com o politicamente correcto, como se o politicamente correcto fosse a nova bomba atómica e todos fossemos morrer por causa disso. Pela minha parte, sempre achei que era mais importante saber distinguir o certo, do errado, mas, claramente, eu é que estava enganada. O “ser anti politicamente correcto” tornou-se um valor fundamental e foi só por isto, mais nada, que Donald Trump foi eleito presidente da América. Entre o sistema e um cretino do pior, os americanos preferiram um cretino do pior. Porquê? Porque volta e meia os cretinos do pior ficam na moda e temos de aprender a lidar com isso. Aposto, que na Alemanha dos anos 30, as pessoas que votaram no Adolfo, também pensavam que ele era apenas um desassombrado, que tinha a coragem de dizer as “verdades”, que mais ninguém tinha.
Como explicar esta loucura, idiotice, suicídio colectivo ou lá o que quiserem chamar, ao resultado das eleições americanas? Muitos repetem o mantra do costume, que o populismo é fruto de um estado assistencialista, que se mete demasiado na vida das pessoas… Se estivéssemos a falar de Portugal, até era capaz de comer essa patranha, mas estamos a falar dos Estados Unidos da América. Um país que viu cidades inteiras com casas abandonadas e a classe média a viver em parques de campismo, por não as poder pagar. Um país em que mais de metade da população não tem acesso a cuidados de saúde decentes. Acham mesmo, que o problema dos americanos é o tamanho do Estado?  
Começo a ficar um bocado farta desta conversa, que o Estado garantir serviços públicos de saúde, educação ou previdência social é meter-se na vida das pessoas. Cinismos à parte, se um destes liberais de quinta – e olhem que eu conheço muitos – enfartar, na minha frente, eu chamo ou não chamo a ambulância? Depois a pessoa fica a pensar, que eu me estou a meter na vida dela… Juro, às vezes, nem consigo dormir a pensar nisto.


A segunda boa notícia é que a guerra fria, se ainda existia, também acabou e quem ganhou foi a Rússia. Sendo que, a boa notícia circunscreve-se só à primeira parte da frase, a não ser que o Putin esteja a ler isto – nunca fiando – e nesse caso, parabéns Vladimir! São três boas notícias para ti. Agora o teu urso pode andar por aí, a pôr a pata onde quiser, pois se já não havia muita gente que lhe fizesse frente, estou em crer, que com o Donald a liderar na América, vão passar a estender-lhe a passadeira vermelha.     

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O PAPEL DE UMA VIDA!

Quando eu era miúda tínhamos quatro cassetes no carro, para ouvir durante as viagens. Naquele tempo as viagens de carro duravam muito tempo. Uma viagem para o Algarve, por exemplo, era coisa para demorar um dia inteiro. Aliás, foi durante uma dessas intermináveis viagens para o Algarve, que a minha cassete laranja e preta dos ABBA desapareceu. Era a minha favorita. Depois havia uma dos Beatles, outra dos Beach Boys, das quais gostava igualmente, e o raio do Bob! Não era nada fã do Bob Dylan em criança. Achava aquilo tudo igual e a gaita não ajudava. Ninguém que queira ser levado a sério toca gaita, pensava eu. Gaitas e pandeiretas é logo um mau princípio. Apetecia-me agarrar na cassete e atirar com ela pela janela fora, que foi o que deve ter acontecido, com a minha cassete dos ABBA. Mas com o passar dos anos passei de achar que o Bob Dylan era muito mau, para achar que era muito bom, sem deixar que ainda assim é um bocado mau. Tipo os Depeche Mode no início dos nos 80, que são muito bons e muito maus tudo ao mesmo tempo.  
Não entendo é que possa ser polémico, o Bob Dylan ser o mais recente prémio nobel da literatura. Qual é o vosso problema?! É a música que estraga? Se for por causa da música, entendo. Poemas tão bonitos, histórias muito bem contadas e a estragar, aquela voz de cana rachada e uma gaita a acompanhar. Parece fazer pouco da literatura, não é? Mas não deixa de ser literatura por causa disso. Às vezes tenho dúvidas é que seja música, até porque já o vi ao vivo. E por isso também não entendo a polémica. Sabem quantos grammys ganhou o Bob Dylan? Ganhou 14 grammys. Inclusive em 1980, em 1998 e em 2007, Bob Dylan ganhou, nada mais, nada menos, do que o grammy da melhor performance vocal do rock. Como é que acham que o Leonard Cohen se terá sentido nessa altura? 
Já o nobel da literatura não devia chocar ninguém. Os discos podiam ter uma etiqueta a dizer isso mesmo: “Isto não é bem música, é mais literatura”, e as pessoas já sabiam ao que iam, antes de ouvirem Bob Dylan. O Just Like Tom Thumb’s Blues é quase um argumento de um filme, enfiado numa canção. Mete uma cidade perigosa, degredo, putas, polícias que não querem saber, um amor de merda e um final com regresso a casa. Olha não é escritor…

Por tudo isto e para algo completamente diferente, o óscar de melhor actor, no próximo ano, devia ser entregue ao Alec Baldwin, pelas participações nos sketches do SNL, a imitar o Donald Trump. Da primeira vez que vi cheguei a pensar que tivessem convencido o próprio Donald Trump, a fazer dele mesmo, o que também teria sido hilariante, aposto. É muito bom! Estou tão viciada naquilo, que até já sei as falas de cor. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Chutar para canto?!

Ora bem, a ver se a gente se entende… Quando o tosco do Presidente, depois de um passe magistral do Costa, chuta a bola para a bancada, o que nós temos a seguir é um pontapé de baliza!

Para haver pontapé de canto, seria necessário que o tosco do Presidente acertasse num dos pinos da oposição, antes de a bola sair pela linha de fundo... Ok?    

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

DEIXEM O PALERMA FALAR!

Tenho pensado muito em palermas nos últimos tempos. Qual a melhor forma de lidar com um palerma? Devemos ignorar um palerma, mesmo que ele não nos deixe em paz? É possível livrarmo-nos de um palerma, sem termos de o matar? São dúvidas para as quais tenho procurado resposta e até agora cheguei a estas parcas conclusões: não sei; talvez; sim!

Tudo começou com um cartoon no DN. Nem era preciso o desenho para ter piada. Ou se calhar era, mas vou tentar na mesma. Mostrava três talibans e o mais velho dizia aos dois mais novos: “Se querem que um livro se torne eterno, atirem-no a uma fogueira”. O livro era o Corão, a frase não sei se era mesmo esta, mas a ideia era.
Acontece o mesmo com as pessoas. Se quiserem fazer de um palerma, um herói, ameacem-no de morte.
Às vezes nem é preciso ir tão longe. Experimentem só proibir um palerma de falar. É um bocado como aquele mito das formigas. Se mandas calar um palerma, aparecem logo mil palermas a defendê-lo. São muito corporativos os palermas. Por isso é sempre bom deixar o palerma falar até ao fim. E, depois do palerma acabar, bocejar, espreguiçar bem os braços e ir embora. 
Nunca – mas mesmo NUNCA! – ameaçar a integridade física do palerma. É o pior que se pode fazer. A partir daí obrigamos todas as pessoas de bem, a tomar uma posição, para defender um palerma. As pessoas de bem não merecem que lhes façam isso. Com toda a certeza devem ter coisas mais importantes a fazer na vida do que defender palermas.

Tenho também uma outra técnica para lidar com palermas, mas ainda está em fase experimental. Funciona assim: o palerma vem para falar comigo e eu faço de conta que sou autista. Olho para ele fixamente de olhar perdido no vazio – às vezes até me babo um bocadinho, para dar mais credibilidade à cena – e não digo nada. Tenho tido bons resultados, mas pode ser um processo moroso.
 
E toda esta preocupação com palermas por quê? Prometi a mim mesma, numa resolução de um ano novo qualquer, não defender palermas. Criminosos tudo bem. Palermas? NUNCA! Mas tem sido muito difícil manter a minha resolução. Todos os dias é um novo palerma que aparece a precisar de defesa. Bem sei, não são tempos fáceis para os palermas e alguém tem de os defender, mas faço aqui um apelo: Por favor, não mandem palermas para o Tribunal, só por serem palermas!
O pior pesadelo de um advogado é ter de defender um palerma em juízo. A única coisa pior que defender um palerma, deve ser apanhar um juiz palerma. E agora que penso nisso, até acho que deve ser melhor apanhar um juiz palerma. Pelo menos do teu lado está tudo controlado.